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Canções de cinema: Rafa Castro lança curta-metragem em película para seu mais recente álbum, “Teletransportar”, e condensa perdas do Brasil contemporâneo

Chacal, poeta que acaba de completar 70 anos - e cuja obra, para muitos, é chave para a construção e compreensão do Brasil contemporâneo - escreveu em seu poema rápido e rasteiro versos que sobressaltam frente a poética do filme “Teletransportar”, ambicioso projeto cinematográfico dirigido por André Inácio e produzido pela Modernista para dar corpo às canções do álbum homônimo do cantor, compositor  e pianista Rafa Castro: vai ter uma festa / que eu vou dançar / até o sapato pedir pra parar / aí eu paro / tiro o sapato / e danço o resto da vida.

 

A vida, que definitivamente não é uma festa para Juliano (Diogo Granato), personagem central do filme que funciona quase como uma trilha visual para três das canções de Rafa Castro (Teletransportar, Cacos de Vitral e Cicratriz, todas parte do mais recente álbum do artista, Teletransportar, destaque na imprensa no último ano), permanece vida - assim, acesa, apesar dos breus do Brasil pandêmico - na faísca lançada pela dança. No corpo de Juliano que, deslocado da sala de aula para o lombo de uma bicicleta de entregas, se ilumina quando é livremente coreografado para transpor - e, por que não, teletransportar, como ecoam os versos de Castro - as dores da rua, a solidão da rua, a dureza da rua. Nos passos-passes (de mágica e de fé), Granato nos faz lembrar, tal qual as canções de Rafa Castro, que ditadores passarão, e que a vida há de se reinventar na beleza, apesar da dura travessia. Em passos de dança desses que, apesar dos pedidos do sapato, coreografamos pelo resto da vida.

 

Meu passado quer falar
No filme, cujo lançamento acontece no próximo dia 22 de junho, as ambições imagéticas, postas com raro desenrolar poético, são construídas para traduzir a perda de ambições do personagem central. Num enfileiramento de renúncias, inclusive da subjetividade sequestrada pelo combo máscara-mochila-bicicleta, Juliano parece sobreviver pelas frestas: apesar dos massacres do dia a dia, ali sintetizado no filme numa travessia de um único dia que, sabemos, irá se repetir indefinidamente, a beleza persiste.


Com atenção transitei

Na cidade do caos onde o cinza é real

Com passo apertado de rosto fechado pra sobreviver

Na solidão

Finquei meus pés o meu chão

Me abriguei na ilusão onde o mundo é lilás

Um corpo forjado por cacos quebrados como num vitral

Meu passado quer falar

(trecho de “Cacos de vitral”, uma das canções do filme Teletransportar)

 

E persiste entre duras imagens narradas por letras que soam quase premonitórias. O álbum de canções de Castro, lançado em abril de 2020, enfileira versos que parecem feitos para contar o Brasil de hoje, pandêmico, e mergulhado entre tiranias e abandono, fato que engrandece a escuta, um ano após seu lançamento.

Mas sonho com um mundo mais fraterno

Pois sei que ditadores morrerão

Assim o arco da história nos insiste em contar

Que tudo vai passar

Enquanto eu penso em teletransportar

(trecho de “Teletransportar”, canção-título do curta-metragem)

 

Na trama, que reúne Ana Elisa Melo, Diogo Granato e Sofia Granato num enredo entre pai, mãe e filha, assistimos a uma série de quebras. O professor Juliano, revelado através de memórias pregadas na parede, com fotos, provas e bilhetes de seus alunos, se desfaz das lembranças para encarar o dia. Após um curto e melancólico amanhecer junto à família, o personagem de Diogo Granato chega à rua, mas nem ela nem ele são mais os mesmos. O professor se converte em entregador de aplicativo. As ruas, por sua vez, não são mais movimentadas como antes. O que assistimos é a uma São Paulo esvaziada e mascarada, com ruas quase desertas, senão pela presença dos chamados trabalhadores essenciais. Um vazio que toma, também, o dia de Juliano, tomado por muitos esbarrões, mas nenhum encontro.

 

A persistência da beleza, no entanto, não brota no caminho de sua bicicleta. Ele a faz surgir quando se despe da rua para retornar para sua família. Aos pés do edifício, coreografa a vida, o sonho, a leveza, as perdas. Põe no corpo, e no movimento dele, aquilo que estamos buscando pôr nos nossos dias: um jeito de continuar.

 

 

 

 
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